sábado, 19 de abril de 2014
A mediocridade nossa
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Nada a dizer
Gosto do aconchego do silêncio, da quietude que sussurra histórias de nós, do afago que afasta nossos medos.
Gosto do silêncio das palavras não ditas, que sufoca as mal ditas.
Gosto do silêncio...gosto do silêncio que conversa com a gente, que transpira, do silêncio que inspira.
Ah!! Gosto do silêncio que permite nos ouvirmos e que nos faz capaz de ouvir com o ouvido do outro.
Gosto do silêncio que grita escolhas até então abafadas pela fala.
Gosto do silêncio...
Onde?
Um som estridente me trouxe de volta. Sei bem não onde estava, é verdade...apenas fragmentos de sentidos sem um sentido certo. História sem começo, sem fim. Meio há, também pudera, vazia a cabeça nunca fica.
E nesse sentido melhor seria o verbo estar, mais flexível, mais amigável com o momento, mais receptivo com o lugar onde estava, ainda que já tenha dito que de tal lugar tenha apenas lampejos. Se pra lá ou pra cá, sei ao certo não.
E se não fosse a fúria da madame ao meu lado, que esqueceu a mão na buzina, lá ainda estaria...
terça-feira, 12 de novembro de 2013
The end
Segurou o trânsito desde a esquina anterior. Devagarinho...ligou o pisca-pisca, indicando que procurava uma vaga. Bobagem, já sabia que naquele trecho nao havia...tinha dado a primeira volta no quarteirão.
Parou em fila dupla, e os demais que desviassem pela contramão. Saltou do carro e se dirigiu a calçada para escolher o último lançamento pirata, exposto entre diversos dvds empilhados na parede.
Como a freguesia era grande, ali ficou por 10 minutos, um pouco mais, um pouco menos.
No carro, a mulher e a filha aguardavam o papai com a novidade. Levaram para casa exemplos de como os "eu" são mais importantes que nós.
sábado, 2 de novembro de 2013
Nem faz tanto tempo...
Quinze minutos se passaram e eu estava ali. Um som gostoso, daqueles que nos fazem buscar o toque da mão com a coxa.
Vivemos assim, não? Entre tentativas de acompanhar o ritmo...estava ali para participar de uma oficina sobre o futuro do jornalismo.
Ao descer a rampa principal fui resgatando de um lugar qualquer na memória as histórias que naquele lugar vivi. Descobri pensadores em livros e em muitos botecos. Fui aluno e professor. Me embriaguei de momentos, me apaixonei por gente sem tempo de virar história e por histórias de gente ao longo do tempo. Ainda quero contá-las, todos os dias.
Fiz amigos, bons amigos...fizemos greve, fizemos política, fizemos festa. Debatemos sociologia, psicologia, semiótica com paixão.
No acorde do baixo, deixo que o olhar volte a percorrer o lugar e me dou conta do caso de amor.
Sou filho da PUC...
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
"Mea culpa"
Culpe o outro. Culpe a falta de tempo, os tempos modernos. Culpe a tecnologia, o excesso de informação, as multiplataformas. Culpe o que vier pela frente, contanto que isso preserve sua própria arrogância.
A maior revista semanal do país dedicou essa semana 17 páginas para a história dos cães resgatados de um laboratório de testes. Esforço jornalístico digno de admiração, não?
O que se lê página após página é na verdade o esforço para contar uma história a partir de um único ponto de vista.
Lembrei do teólogo Leonardo Boff...certa vez, disse ele: "todo ponto de vista é sempre a vista de um ponto".
E assim se mata o jornalismo...carregue a culpa!
Tenho medo do simplismo
Reduzimos tudo. Minimizamos as relações, quaisquer que sejam elas. Preto no branco...só certezas. Pra que fazer perguntas complexas, daquelas que podem nos tirar do conforto das afirmativas acabadas?
Que coisa mais desagradável!
Melhor mesmo seguir nosso simplismo, sem vergonha alguma é bom frisar.
Essa semana, uma das revistas de maior circulação nacional corrobora o que eu digo. Na capa, a publicação estampou a foto de um cachorro e a pergunta: "A vida dele vale tanto quanto a sua?"
A reportagem trata do uso de animais em pesquisas científicas. E vai aí uma dica: o ser humano é o centro de tudo. Simples assim, portanto...
Não pense você que sou contra ou a favor da tese, não se trata disso. Sou contra sim o fim da complexidade, daquilo que realmente nos diferenciava entre as espécies...Ah, mas essa é uma discussão muito chata, sim ou não? ?