domingo, 11 de junho de 2017

O tempo

Cai cedo noite

Engole tarde

Rastro de dia noite um dia foi

Não tarda noite vira dia

Cai cedo dia tarde noite 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Saudade

Abstrato substantivo na língua, concreto na alma. 

Se verbo fosse, conjugado no futuro do pretérito deveria ser.

Vivido, vivido está. Assim, no presente, vez ou outra permitindo-se flertar com o passado, e no pretérito perfeito, diga-se: vivi.

É no tempo que está por vir que sentimos de fato a concretude da saudade...

Saudade do que poderia ter sido, do que poderia ter vivido. 

E nesse caso, se verbo fosse, transitivo direto seria...sem sentido completo, à espera de um complemento...


terça-feira, 6 de junho de 2017

Eu e meus fantasmas

Já não escrevo para afastar meus fantasmas, não. Dialogo com eles afim de entendê-los. Há familiaridade entre nós...somos feitos da mesma carne, da mesma alma. 

Delicadamente os convido para uma dança, tal qual os Deuses africanos. No início, falta-nos a harmonia dos exímios dançarinos, vencida com a persistência da agulha que sangra as canaletas do disco em voltas e mais voltas...assim, antes que a música acabe, lá estamos nós, feito pares perfeitos em um enorme salão, sem paredes, sem verdades postas à priori. Vamos nos descobrindo, nos entrelaçando, nos fundindo!

Não escolho os fantasmas que encontro pelo salão, mas escolho sim a melodia e o ritmo...seguimos dançando, eu e meus fantasmas...já não os quero longe de mim!!!


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Um tantinho assim de atenção...

Pra bom entendedor nem pouco nem muito. Na medida do coração.
Razão não grita no peito, se cala. Machuca, abre ferida, funda.
Afunda, feito âncora. Estanca!
Um tantinho assim...medida dada na mão, palmo de chão.
Não se pede. Se dá ou se ganha. De um jeito ou de outro por merecimento, aos olhos de outrem ou de ninguém. 
Um tantinho assim...

sábado, 11 de junho de 2016

A ajuda do acaso

Procuramos por padrões. Assim nos sentimos mais confortáveis, menos inseguros.
Legítimo é, não verdadeiro! Bastaria argumentar que nossos julgamentos sobre os encontros e desencontros da vida não são precisos frente a informações imperfeitas ou incompletas.
Bastaria, digo, porque sequer nos damos conta disso.
Seguimos com a certeza inexorável dos eventos que se repetem hoje, amanhã e depois de amanhã…
Negamos o aleatório. Expurgamos o acaso.
De que adianta? Ele está a espreita.
Assim é o amor, não?
A diva pop Amy Winehouse cantou que o amor é um jogo de azar.
Quer mais aleatoriedade? Jogue o dado e espere pelo número desejado. A chance de você errar é muito maior do que acertar. 5 contra 1.
Mas acontece…na mesa de um bar, no elevador, em uma fila qualquer, num esbarrão sem querer, na cozinha, entre dois olhares que se cruzam.
Destino?
Alguns diriam que sim. A antiga lenda chinesa do Fio Vermelho conta que quando nascemos os deuses amarraram em nossos tornozelos um fio vermelho invisível nos ligando eternamente a nossa alma gêmea. Quanto mais emaranhado estiver o fio, mais perto estamos da pessoa amada…a sutileza é que o fio pode permanecer esticado por toda vida, e ainda que as pessoas estejam ligadas, nunca vão se cruzar.
Por isso, no jogo de encontros e desencontros da vida, marcados pela aleatoriedade, se ao jogar o dado você tiver a sorte de tirar o número desejado, então, recolha os dados e não deixe que o fio vermelho se estique.
O acaso te ajudou e o destino é você quem constrói!!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Um novelo de lã

O dia foi corrido! Assim, curto e grosso. Como a colocar um ponto final em qualquer possibilidade de argumentação. Conversa que não se iniciou, um projeto que não andou, um bom dia que se foi sem se fazer tarde, noite...as prioridades têm suas sutilezas, e no emaranhado da vida vamos nos perdendo, enrolados aqui e ali a caminhar em um labirinto gigante. 
Acabamos devorados! Como no mito grego do Minotauro alimentamos o monstro, dia a dia.
Impelidos pelas circunstâncias ou por escolha própria. 
Não importa! De um jeito ou de outro não há saída...alguns de nós receberam um novelo de lã das mãos de Ariadne, assim como o herói Teseu, mas abdicaram da sorte. E mesmo que matassem o monstro, perdidos permaneceriam, sem encontrar o caminho de volta. 
O dia foi corrido sim. E nas escolhas que fazemos, no imaginário de nossas prioridades, vamos nos esvaindo.
Amanhã, bom, amanhã procure um novelo de lã!


Enviado do meu iPad

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Bate à porta

Paralisa, nos rouba o fôlego. Nos deixa vencidos, e derrotados procuramos para além de nós os algozes.
Sofreguidão sem saída, sem sequer uma porta de emergência por onde pudéssemos correr.
Sentido não há, nem pra lá nem pra cá! Os caminhos, todos, levam a um mesmo lugar. Cegos tateamos em vão.
Angústia que chega sem se apresentar, sem por às claras os porquês...e por quê?
Porque, dissimulada que é, nos deixa sem saber por que nos permitimos.