terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mundinho confuso...

Ainda com sono, com os olhos praticamente fechados ligo o computador para ler os jornais do dia...o mercado financeiro desabando, o discurso vazio do presidente norte-americano, a perplexidade dos líderes europeus reféns das especulações, as projeções dos analistas sobre os riscos da crise no Brasil e a nossa presidente aconselhando a população a consumir...sim, funcionou na era Lula, quando o mercado interno conseguiu manter o giro da economia, lembra?
Pois então, tudo isso me parece fora do eixo, sei lá...ainda mais quando penso em uma das palavras mais ditas em tempos atuais: sustentabilidade.
Ahhh tá!!! Quero voltar a dormir!!!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quanto mais longe melhor!!

Algo não ia bem, isso já dava para perceber no dia a dia. De uns tempos pra cá nem toda posição era satisfatória...ajeita daqui, ajeita dali, deitado nem pensar. Antes, mesmo na penumbra dava-se um jeito. Agora só com luz, isso se não quiser forçar.
Procurei ajuda e escutei o que não queria.
- Cansada.
- Quem? 
- A vista, amigo...a sua vista está cansada, sentenciou o especialista.
Jeito bacana de dizer que você está envelhecendo. E não é drama não. Segundo ele depois dos 40 é assim mesmo, sinais do tempo.
Agora entre eu e uma boa leitura haverá um novo companheiro: os óculos.
Isso se eu não quiser ficar com os braços doendo de tanto afastar o livro...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pequeno poder

Sabe com quem está falando?
Eita perguntinha chata, daquelas de tirar qualquer um do sério mesmo.
E acontece comigo, e como...
Ainda que seja uma pergunta ela não pretende uma resposta, pelo contrário, impõe o silêncio, castra o dialogo.
Quase sempre vem embrulhada em ironia, sem falar no grau de petulância que nem sequer cabe no sujeito. E só para seguir na mesma linha da arrogância, quase sempre também quem pergunta não é ninguém.
Arrisco dizer até que ela demonstra o grau de civilidade do interlocutor.
Sim, por trás da singela frase há uma ideia de poder  ultrapassada, aquela que não admite contestação, que valoriza o monólogo...
Apenas a título de reflexão, um dos filósofos que conceituou o poder, Michael Foucault, falava que o poder é exercido em rede, não há um entidade centralizadora.
Na era da informação parece que nem mesmo os "comunicólogos", principalmente alguns assessores de imprensa travestidos de jornalistas, entendem.
Para sua pergunta só nos cabe a resposta: não amigo(a), não sei.
Ah!! E nem me importa...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Voltei...

De longe te olho...já faz algum tempo que não trocamos palavras, carinhos, resmungos.
O teu silêncio me angustia. Ah! E o pior é saber que você sabe. Isso sim é um tormento. A sua quietude tem menos de ignorar e mais de provocar.
Palavras não ditas me parecem ameaçadoras. Impelem-me a ação, não ao repouso.
Penso, procuro algo para te dizer...
Parece pálida, mas sou eu que me sinto sem vida, ainda que a vida vá bem, obrigado.
Peço desculpas àqueles que torceram pelo nosso relacionamento...chegamos a essa situação por desleixo tão somente meu.
Cá estou... Quero de novo ser provocado pelo silêncio branco da tua cara, e ainda que não goste do que digo, respeita, e sutilmente me faz refletir amanhã sobre o que disse hoje.
Quero as histórias escritas todos os dias. É isso que me acalma!!!

sábado, 9 de abril de 2011

Histórias de nós

- Já fiz muita coisa errada na vida...
Entre um trago e outro no cigarro, intercalado por breves momentos de silêncio, como dando tempo para a voz da lembrança aparecer, aquele rapaz ao meu lado foi falando dos descaminhos por que passou.
- Esse negócio de que crack é doença...é safadeza, isso sim.
Ele conta que usou a droga por dois anos, mas um dia decidiu parar, de consumir pelo menos.
- Alexandre, eu ia buscar a pedra na boca e via os caras com carro novo, roupas...Aí pensei: esse negócio tá me dando prejuízo. Eu vou é vender.
Entrou para o tráfico e entre uma correria e outra repassava armas vindas do Rio de Janeiro para os morros capixabas.
- Um dia um colega me chamou pra “matá um cara aí”. Tirei o revólver da cintura e falei: Não tem bala meu véio! Aí rodamos a noite inteira procurando munição...até pro cara que estava marcado pra morrer nós pedidos. Deu sorte o camarada.
E ele também. Próximo de completar 24 anos lembra que quase todos os conhecidos daquela época morreram ou estão presos.
Hoje trabalha 15, 16 horas por dia. Faz o que tiver pra fazer, menos “coisa errada” como ele diz.
Puxei o maço de cigarro, ofereci um pra ele. Nossas histórias se cruzam todos os dias, mas nunca havia parado para ouvir como ele chegou até ali...

domingo, 13 de março de 2011

Ela nos espreita, sempre...

Consentimos, por vezes. Procuramos por ela até. Deitamos e nos deleitamos. Dividimos o espaço da cama, num ritmo harmonioso. Fantasiamos...ah, como fantasiamos. De olhos abertos ou fechados nos deixamos levar. Não há começo ou fim estanques, concretos. Há meio, e ainda assim, melhor dizermos no plural, meios...fluidos, abstratos.
Nos enredamos num jogo de olhares, de palavras, de sentidos. Sentimo-nos catapultados por ela. Explodimos em gozo na palavra gritada, arremessada na nossa cara ou no sussurro arrastado, lento, até que as letras se encaixem numa ideia inteligível. E gozamos de novo e de novo e de novo...o gozo da dúvida que se aconchega e nos faz querer mais, questionar mais, num ciclo frenético e construtivo.
Ciclo que se rompe quando ela chega sem ser convidada. E ela chega...nos empurra paro o canto da cama. Não há harmonia em nosso ritmo. Sufoca, nos torna refém.
Começo e fim têm a última palavra, e o meio já não nos inspira. Nada mais há do gozo proporcionado pela dúvida que nos impele a novas descobertas.
Nada!!!
A dúvida é agora angústia e me rouba o sono. Ela nos espreita, sempre...

domingo, 6 de março de 2011

Sorrisos que entristecem

Aqueles com ar de obrigação, aqueles que pretendem preencher um vazio, aqueles sem graça porque graça não os motivaram. Gosto ainda menos daqueles para cumprir tabela, sabe? O dono não entendeu o que você falou, mas sorriu...
Prefiro os debochados aos calculistas. Os tímidos de fato aos simpáticos de plantão. Os irônicos aos dissimulados.
O sorriso de raiva contida, de medo, de angústia. O sorriso que esconde quem te olha. O sorriso de quem se compraz em artimanhas.
O sorriso de subserviência...esse, talvez, o pior deles!!