terça-feira, 8 de maio de 2012

Tem medo de quê?

Amo a pessoa que é coração por inteiro. E digo de cara que não se trata de romantismo, ainda que entenda que mal algum faz. Observe que também não faço referência a gênero, refiro-me, tão somente, a pessoa.
O que me atrai de verdade é a vulnerabilidade subentendida. Você há de concordar comigo que a sentença revela, antes de qualquer coisa, falta de medo, ou melhor, coragem para se mostrar.
É ou não verdade que esse é nosso maior tormento?
Evitamos dizer “não sei”, com medo da avaliação que os outros façam da nossa competência; não dizemos “amo você”, com medo que a pessoa amada tome a declaração como uma fraqueza nossa; não colocamos uma idéia em debate, com medo de sermos mal interpretados, ou sequer, entendidos; nos enchemos de arrogância para afirmar que não nos importa a opinião do outro, quando na verdade é através do outro que construímos o eu.
Por essas e por outras, amo a pessoa que diz “meu coração é meu corpo inteiro”, porque inteira está, corre riscos, não tem vergonha dos próprios limites ou dos caminhos percorridos para superá-los.
Ser coração é ser vulnerável sim, e nada, nada mesmo, nos impulsiona tanto em direção a novas descobertas...
Tem medo de quê??

domingo, 6 de maio de 2012

O grito

O silêncio me acolhe de forma brusca. Deu sinais de que chegaria, não posso negar.
Esse intervalo entre o fim e o começo veio se revelando mais rápido que o passar das horas e talvez por isso, é tão somente uma suposição, me pegou assim, meio sem rumo.
É como se estivesse eu a espera de um até breve ou de um olá. Nenhum som preencheu o vazio, sussuro algum sequer. 
A noite não se despediu, e o dia não deu as caras ainda. Um hiato de tempo, uma sombra de nome madrugada.
Leviana às vezes, traiçoeira. Nos embaça a visão, embaralha os sentidos...nos coloca frente a frente com nossos medos, desperta nossos fantasmas.
Já não há silêncio...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O preço do jeitinho....

O vôo não estava cheio, talvez por conta do horário, seis da manhã. Assim que o avião começa a taxiar dois homens se levantam e tentam mudar para as poltronas da saída de emergência, um pouco mais espaçosas do que as demais.
Imediatamente a aeromoça informa que eles não podem ficar ali, ainda que as duas fileiras estejam completamente vazias.
A razão é simples: não pagaram pelos assentos.
Um deles olha com incredulidade. O outro ameaça reclamar e solta apenas uma frase irônica, do tipo "é que tem muita gente mesmo".
A cena me fez lembrar de uma situação semelhante que presenciei a primeira vez que estive em Nova Iorque, onde as relações de consumo são bem mais claras.
Bom, lá fui eu assistir os knicks contra os Jets, um clássico, ainda mais no Madison Square Garden. Passeio de turista sim, mas que vale cada centavo de dólar.
O setor onde estava não era dos melhores, mas longe de ser dos piores...cadeiras numeradas todas elas são. Ainda assim cheguei cedo, sabe como é, mesmo com o ticket na mão há sempre aquela desconfiança de encontrar alguém no meu lugar, enfim.
O jogo começa e lá pela metade do primeiro tempo boa arte dos lugares continuava vazio, inclusive fileiras a minha frente, com uma visão melhor da quadra.
Perguntei para um torcedor ao me lado porque ninguém mudava de lugar, já que aqueles eram melhores.
- Pagamos por esse, não por aquele...
Cesta amigo, e de três pontos!!!!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Nossa fantasia está rasgada...

Deixemos para trás os foliões e falemos dos fanfarrões do nosso carnaval...parece sintomático um dirigente de uma “escola” virar o jogo na marra quando o jogo perdido está. Isso sim que é lição, principalmente de alguém com uma longa ficha de serviços prestados ao crime!!!
Sintomático também é a fala do governador Sérgio Cabral, na segunda-feira de carnaval. Segundo ele é preciso profissionalizar as escolas para que elas possam “sair do controle de quem quer que seja – bicheiros ou milicianos, qualquer agente ilegal.” E completou: É ilegalidade em cima de ilegalidade. O romantismo acabou há muito tempo”.
Novidade não é, diga-se a verdade. Mas de tempos em tempos a harmonia entre samba e crime atravessa a avenida, e aí amigo, não há lugar para fantasias...inclusive a que se refere a nós jornalistas.
O enfoque das nossas coberturas geralmente é a paixão, o luxo, as personagens do espetáculo. Raramente, corrija-me se estiver enganado, abordamos os bastidores, a origem das verbas, o compasso da ilegalidade forjado além dos barracões e quadras.
Não seria esse um enredo pertinente, de interesse público?
Se você é da mesma opinião que a minha há de concordar que precisamos evoluir nesse quesito, sob o risco de sermos rebaixados.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sacanagem as claras...

Li uma vez e fiquei com a sensação que não havia entendido. Li novamente e a sensação passou a ser de incredulidade.
Servidores do senado que recebem acima do teto estabelecido pela constituição, ou seja, fora da lei, e que tiveram os nomes divulgados pelo site Congresso em Foco decidiram processar os jornalistas.
E sabe qual é a alegação? Eles tiveram a intimidade e a privacidade invadidas pela publicação dos valores dos contracheques.
Entendeu porque precisei ler duas vezes?
É como um batedor de carteira pego em flagrante alegar invasão de privacidade quando o dono da carteira quiser conferir os pertences, e adepois decidir processar a vítima...
No caso dos servidores do senado são 43 ações e cada uma pede R$ 21,8 mil de indenização.
É intimidade demais com o nosso bolso, não?!!!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

É mole?!

Tenho me surpreendido, não raras vezes, como uma inversão de valores que coloca o particular acima do público. E digo isso em relação a coisas do cotidiano mesmo...
Nesse final de semana um motorista de ônibus avançou o sinal vermelho, em Cariacica, na Grande Vitória. Para sorte dele, dos passageiros e dos outros condutores que iriam cruzar a pista, nada de mais grave aconteceu...até que um policial decidiu segui-lo e multá-lo.
Revoltado, ele reuniu os companheiros de profissão no terminal e organizou um protesto.
Pronto, nenhum ônibus saiu...a população que aguardava na fila, na fila ficou. Mas como paciência tem limite, os usuários decidiram também protestar e fecharam uma rodovia federal, a BR 262.
Confusão armada por mais de duas horas, em pleno domingão!!
Tudo porque alguém acha que tem mais direitos que outro alguém, ainda que não respeite ninguém...

domingo, 2 de outubro de 2011

Vida...

De soslaio me olha
Me olha de frente
Me olha de costas e pelas costas
Interrogativamente, pensativa
Me olha
Brava as vezes me olha
Carinhosamente quase sempre
Me olha com cuidado
Sinto que me olha com desejo
Me olha a procura de mim
Me olha inteiro e em partes
Longe me olha
Em meio a todos me olha com aprovação 
Se reprova, me olha em particular
Me olha em busca do meu olhar
Me olha, sei
Apaixonadamente olho o teu olhar