Apago a luz, deito, recosto a cabeça no travesseiro, mas ela insiste em não descansar. Dezenas de pensamentos, a maioria improdutivos é verdade...permita-me ser generoso comigo nesse momento.
A cabeça tem vida, segue os próprios caminhos, nem sempre em paz com o corpo. Obriga-o a revirar de um lado para outro noite a dentro. É uma luta sim, daquelas vividas por Santiago, o personagem de Hemingway.
Penso no mar. Não nos seus mistérios, não na grandiosidade, não na violência. Vislumbro a marola a beira da praia, em movimentos constantes, ainda que disformes. A marola que forma desenhos para no segundo seguinte apagá-los, me leva para as profundezas.
Durmo!!
Ao acordar espio por entre as janelas...ele está lá. O mar me trouxe de volta e sigo em frente. O poeta já dizia:” minha jangada vai sair pro mar...meu bem querer...”
sábado, 26 de junho de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Por que?
A poesia da infância, a petulância da juventude, as certezas ou falta delas da vida adulta. Fases de um tempo nosso ligadas pela pergunta...
Como nenhuma outra, ela nos estimula, nos excita, nos provoca. Corremos para ela, fugimos dela.Em algumas questões sequer admitimos a possibilidade de pensar nela. Sufocamo-la.
E com que freqüência há quem deixe a razão de lado por razões que a razão não explica de forma minimamente razoável.
Sim, pense quantas vezes você já ouviu algo do tipo: isso eu não discuto!
Por que?
Não há problema no questionamento. Ah sim, na falta dele.
Para não nos alongarmos, vamos tomar como exemplo a religião. Dois fatos recentes me chamaram a atenção.
Li uma notícia no Estadão sobre o objetivo de dois escritores britânicos acusarem o papa por crimes contra a humanidade, por supostamente o pontífice ter encoberto casos de pedofilia.
A primeira frase da reportagem é emblemática: Os escritores Richard Dawkins e Christopher Hitchens, dois importantes ateus britânicos, planejam...
Posto dessa forma é como dizer que a acusação se deve tão somente porque os escritores são ateus, desqualificando qualquer tipo de debate.
Será possível que por não acreditarem em Deus seus objetivos sejam menos nobres?
É o que parecem acreditar os leitores que postaram comentários no site. De certo são daqueles que se recusam a discutir, sempre.
Ou se crê ou não. Às favas com os argumentos, com as evidências, com as probabilidades.
Ainda nessa linha, outro dia, um repórter de um telejornal descreveu assim uma reunião religiosa: Uma festa de fé e milagre!
Milagre???
Eu pergunto: por que minha surpresa?
Como nenhuma outra, ela nos estimula, nos excita, nos provoca. Corremos para ela, fugimos dela.Em algumas questões sequer admitimos a possibilidade de pensar nela. Sufocamo-la.
E com que freqüência há quem deixe a razão de lado por razões que a razão não explica de forma minimamente razoável.
Sim, pense quantas vezes você já ouviu algo do tipo: isso eu não discuto!
Por que?
Não há problema no questionamento. Ah sim, na falta dele.
Para não nos alongarmos, vamos tomar como exemplo a religião. Dois fatos recentes me chamaram a atenção.
Li uma notícia no Estadão sobre o objetivo de dois escritores britânicos acusarem o papa por crimes contra a humanidade, por supostamente o pontífice ter encoberto casos de pedofilia.
A primeira frase da reportagem é emblemática: Os escritores Richard Dawkins e Christopher Hitchens, dois importantes ateus britânicos, planejam...
Posto dessa forma é como dizer que a acusação se deve tão somente porque os escritores são ateus, desqualificando qualquer tipo de debate.
Será possível que por não acreditarem em Deus seus objetivos sejam menos nobres?
É o que parecem acreditar os leitores que postaram comentários no site. De certo são daqueles que se recusam a discutir, sempre.
Ou se crê ou não. Às favas com os argumentos, com as evidências, com as probabilidades.
Ainda nessa linha, outro dia, um repórter de um telejornal descreveu assim uma reunião religiosa: Uma festa de fé e milagre!
Milagre???
Eu pergunto: por que minha surpresa?
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Só um sinônimo...
Ela me roubou o tempo, a alegria, o entusiasmo. Furtou de mim a fé nas pessoas, na sinceridade. Levou meu entusiasmo, meus planos, minha força...a certeza do olho no olho.
Subtraiu meu sorriso...furtou minha vergonha na cara, meu equilíbrio. Pilhou minha razão. Afanou amigos.
Pirateou sonhos, plagiou o carácter. Surrupiou energia, extorquiu, espoliou, sonegou informação, escamoteou verdades.
O nome da ladra é...ilusão!!!
Subtraiu meu sorriso...furtou minha vergonha na cara, meu equilíbrio. Pilhou minha razão. Afanou amigos.
Pirateou sonhos, plagiou o carácter. Surrupiou energia, extorquiu, espoliou, sonegou informação, escamoteou verdades.
O nome da ladra é...ilusão!!!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Já não é nosso...
Um livro é tão somente nosso no instante único que o escrevemos. Ainda que ele guarde um pouco da nossa história, do nosso jeito de ver o mundo, de sentir a vida, ele só respira e transpira nas mãos do leitor.
É no diálogo que o livro pulsa. É do diálogo entre quatro amigos apaixonados por jornalismo que ele nasceu. Nossos papos poderiam sim ter ficado restritos a um canto qualquer da redação, a uma mesa qualquer de um bar qualquer, em um dia qualquer.
Transpor para o papel significa, para nós, convidar outros para a conversa. Acreditamos que quanto mais, melhor fica o papo.
Aos amigos que nos prestigiaram no dia do lançamento de “Reportagem na TV”, nosso muito obrigado. Aos amigos que por uma ou outra razão não puderam ir, mas torceram por nós, nosso muito obrigado. Aos amigos que nos mandaram mensagens desejando sucesso, nosso muito obrigado.
Todos vocês nos provaram que há espaço para o diálogo.
Ah!!Só não esqueçam de convidar mais gente para a nossa conversa...
É no diálogo que o livro pulsa. É do diálogo entre quatro amigos apaixonados por jornalismo que ele nasceu. Nossos papos poderiam sim ter ficado restritos a um canto qualquer da redação, a uma mesa qualquer de um bar qualquer, em um dia qualquer.
Transpor para o papel significa, para nós, convidar outros para a conversa. Acreditamos que quanto mais, melhor fica o papo.
Aos amigos que nos prestigiaram no dia do lançamento de “Reportagem na TV”, nosso muito obrigado. Aos amigos que por uma ou outra razão não puderam ir, mas torceram por nós, nosso muito obrigado. Aos amigos que nos mandaram mensagens desejando sucesso, nosso muito obrigado.
Todos vocês nos provaram que há espaço para o diálogo.
Ah!!Só não esqueçam de convidar mais gente para a nossa conversa...
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Nossos cadáveres...
Histórias que não vão ser contadas...soterradas, enterradas, esquecidas.
A câmera apontada para o morro que já não mais existe. Gente que ganha uma cara tão somente na dor, no choro sofrido de quem tudo perdeu, ainda que até aqui os tenhamos tratado como se nada fossem, como se nada ali houvesse.
Muitos colegas falam agora em tragédia anunciada e eu pergunto: anunciada por quem?
Pela defesa civil, só ouvida quando o caos já está instalado? Por pesquisadores, relegados ao anonimato, principalmente quando se trata de questões sociais?
Anunciada por quem amigo? Por nós jornalistas?
Se por um instante pararmos para refletir vamos encontrar também nossos cadáveres. Contamos a morte, de certo por que ela se apresenta como a situação limite. Não percebemos que o limite já tinha sido há muito ultrapasso em vida por essa gente que no morro sobrevivia.
O morro do Bumba, em Niterói, era um lixão. Foi crescendo dia a dia, absorvendo sempre e sempre mais pessoas. Ainda assim, não anunciamos para todo mundo que se erguiam casas em meio ao chorume liberado por toneladas e toneladas de lixo...não, não contamos essa história, pelo menos enquanto a história acontecia.
De fato nada fizemos, a não ser esperar o fim, a tal tragédia anunciada.
Comovidos estamos todos com a situação no Rio de Janeiro, mas nós, jornalistas, devemos estar, acima de tudo, envergonhados por não ter contado a vida dessas pessoas ainda em vida.
A câmera apontada para o morro que já não mais existe. Gente que ganha uma cara tão somente na dor, no choro sofrido de quem tudo perdeu, ainda que até aqui os tenhamos tratado como se nada fossem, como se nada ali houvesse.
Muitos colegas falam agora em tragédia anunciada e eu pergunto: anunciada por quem?
Pela defesa civil, só ouvida quando o caos já está instalado? Por pesquisadores, relegados ao anonimato, principalmente quando se trata de questões sociais?
Anunciada por quem amigo? Por nós jornalistas?
Se por um instante pararmos para refletir vamos encontrar também nossos cadáveres. Contamos a morte, de certo por que ela se apresenta como a situação limite. Não percebemos que o limite já tinha sido há muito ultrapasso em vida por essa gente que no morro sobrevivia.
O morro do Bumba, em Niterói, era um lixão. Foi crescendo dia a dia, absorvendo sempre e sempre mais pessoas. Ainda assim, não anunciamos para todo mundo que se erguiam casas em meio ao chorume liberado por toneladas e toneladas de lixo...não, não contamos essa história, pelo menos enquanto a história acontecia.
De fato nada fizemos, a não ser esperar o fim, a tal tragédia anunciada.
Comovidos estamos todos com a situação no Rio de Janeiro, mas nós, jornalistas, devemos estar, acima de tudo, envergonhados por não ter contado a vida dessas pessoas ainda em vida.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Mesa farta
Não lembro o nome. Perguntei, mas não lembro. Guardei na cabeça apenas o sorriso. Todos os dentes na boca, nem todos dele. Gengiva marcada, castigada também a pele do rosto. Aparência mais velha que a realidade, dura, curtida sob o sol.
Passou a maior parte da vida na água. Dela tirou o sustento, assim como o avô, o pai , os vinte irmãos...
- A mariscada está ótima, quer??
Em algum ponto da vida mudou o rumo. Ainda tira da água o sustento, agora mais colorido, saboroso, cheio de aromas.
Na parte de baixo da casa montou um pequeno restaurante. Cresceu e já abriu mais um andar. É simples, bem simples. Extremamente simpático e aconchegante, como tantos outros ali na margem de um dos maiores manguezais urbanos do mundo e incrustados na pobreza.
Servem aqueles que vêm do outro lado da cidade, cortando ruas da periferia ou de lancha.
Mesa farta, ainda que mal distribuída...
Passou a maior parte da vida na água. Dela tirou o sustento, assim como o avô, o pai , os vinte irmãos...
- A mariscada está ótima, quer??
Em algum ponto da vida mudou o rumo. Ainda tira da água o sustento, agora mais colorido, saboroso, cheio de aromas.
Na parte de baixo da casa montou um pequeno restaurante. Cresceu e já abriu mais um andar. É simples, bem simples. Extremamente simpático e aconchegante, como tantos outros ali na margem de um dos maiores manguezais urbanos do mundo e incrustados na pobreza.
Servem aqueles que vêm do outro lado da cidade, cortando ruas da periferia ou de lancha.
Mesa farta, ainda que mal distribuída...
sexta-feira, 19 de março de 2010
O peixe morre pela boca!!
O dia não havia chegado quando entrei na estrada. Escuro ainda. Curioso como a vida nos traz simbolismos. Numa noite escura me sentia já há algum tempo, tateando, mas sem enxergar os passos.
Verdade que algumas pessoas tentaram me guiar, me ajudar a encontrar o caminho. Outras, por mais que eu pedisse, simplesmente viraram-me as costas, roubaram de mim a fé, única e exclusiva, no ser humano.
Chovia...a cada vez que o limpador passava sobre o pára-brisa do carro novas figuras se formavam para no instante seguinte se desmancharem. O pensamento ia e vinha, ia e vinha...sem ordem definida, sem sentido. Os olhos grudados na estrada, a cabeça perdida no tempo. Quanta coisa havia se passado no último ano, quantas palavras não ditas, quantas ditas sem sinceridade.
Certa vez escutei de alguém que mais importante que as palavras eram as atitudes. Nunca consegui entender bem isso, apenas agora. E só com palavras consigo definir quem separa uma coisa da outra, quem não faz o que diz, ou faz o que não diz: mau caráter!
Olhe ao seu redor, com certeza um deles está aí. Às vezes levamos algum tempo para perceber, mas ele vai dar as caras, ah vai!
Que tal algumas dicas. É o tipo de pessoa que está ao seu lado quando tudo vai bem, mas quando não, faz as coisas ficarem ainda piores...ah, quando questionado sobre atitudes diz sempre que mudou, que passou por uma fase...mente em pequenas coisas, simples, banais e tenta te convencer que naquele caso não valia dizer a verdade, pouca coisa por nada, sabe?!
Imagine que um amigo ou o seu pai tenha pedido para tomar conta de algo, um peixe, por exemplo, enquanto ele estiver fora. A pessoa assume o compromisso, mas esquece sempre de alimentar o bichinho de estimação. Resultado: ele morre.
A pessoa faz o que??? Diz que deu a louca no peixe e ele resolveu pular do aquário...Mas tem um detalhe: o mau caráter é tão convincente que você até imagina que o peixe deveria estar estressado, cansado de água, enfim...é faz sentido, por que não?
O limpador passa mais um vez...sigo viagem!
Verdade que algumas pessoas tentaram me guiar, me ajudar a encontrar o caminho. Outras, por mais que eu pedisse, simplesmente viraram-me as costas, roubaram de mim a fé, única e exclusiva, no ser humano.
Chovia...a cada vez que o limpador passava sobre o pára-brisa do carro novas figuras se formavam para no instante seguinte se desmancharem. O pensamento ia e vinha, ia e vinha...sem ordem definida, sem sentido. Os olhos grudados na estrada, a cabeça perdida no tempo. Quanta coisa havia se passado no último ano, quantas palavras não ditas, quantas ditas sem sinceridade.
Certa vez escutei de alguém que mais importante que as palavras eram as atitudes. Nunca consegui entender bem isso, apenas agora. E só com palavras consigo definir quem separa uma coisa da outra, quem não faz o que diz, ou faz o que não diz: mau caráter!
Olhe ao seu redor, com certeza um deles está aí. Às vezes levamos algum tempo para perceber, mas ele vai dar as caras, ah vai!
Que tal algumas dicas. É o tipo de pessoa que está ao seu lado quando tudo vai bem, mas quando não, faz as coisas ficarem ainda piores...ah, quando questionado sobre atitudes diz sempre que mudou, que passou por uma fase...mente em pequenas coisas, simples, banais e tenta te convencer que naquele caso não valia dizer a verdade, pouca coisa por nada, sabe?!
Imagine que um amigo ou o seu pai tenha pedido para tomar conta de algo, um peixe, por exemplo, enquanto ele estiver fora. A pessoa assume o compromisso, mas esquece sempre de alimentar o bichinho de estimação. Resultado: ele morre.
A pessoa faz o que??? Diz que deu a louca no peixe e ele resolveu pular do aquário...Mas tem um detalhe: o mau caráter é tão convincente que você até imagina que o peixe deveria estar estressado, cansado de água, enfim...é faz sentido, por que não?
O limpador passa mais um vez...sigo viagem!
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